Mostra Homenagem

Homenageada da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, a diretora paulista Laís Bodanzky é uma das mais importantes cineastas brasileiras contemporâneas, com uma carreira consolidada no cinema e na TV, com filmes premiados nacional e internacionalmente, bem-sucedidos de público e crítica.

Após dirigir curtas-metragens, como o filme Cartão Vermelho, Laís e seu marido, o também diretor e roteirista Luiz Bolognesi, criaram, em 1996, um projeto itinerante, o Cine Tela Brasil, que viaja por cidades de vários estados do país exibindo gratuitamente filmes brasileiros. Este projeto a inspirou a realizar o documentário Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil em 1999, laureado com o Margarida de Prata da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre outros prêmios.

Laís iniciou sua trajetória nos longas-metragens com um filme extraordinário e único, de grande repercussão junto à mídia, Bicho de Sete Cabeças, que aborda a questão da saúde mental. Graças a sua bela direção, tornou-se conhecida nacionalmente. Este primeiro trabalho deu início a uma das mais sólidas trajetórias de uma diretora de cinema no Brasil.

Após esta consagrada e premiada estreia, Laís Bodanzky seguiu produzindo e dirigindo ininterruptamente, chegando a uma filmografia notável, tanto na qualidade e no apuro de suas técnicas narrativas quanto na diversidade das temáticas abordadas, que mesmo sem serem expostas de maneira direta, traçam um painel nítido da sociedade e de suas lutas cotidianas: a saúde mental, as muitas vezes difíceis relações familiares, os desafios de se chegar à terceira idade, o complexo universo adolescente com suas descobertas, as dores e os prazeres do crescimento, a posição da mulher na sociedade, a diversidade de gênero, entre outras.

Esta atenta realizadora apresenta os diversos temas de Direitos Humanos em suas obras de maneira profunda e sensível, com personagens e contextos que parecem ter sido retirados do nosso dia a dia e nos permite uma experiência de tomada de consciência sobre cada uma das temáticas abordadas.

Através de uma seleção de três de seus longas – Bicho de Sete Cabeças (2001), Chega de Saudade (2008) e As Melhores Coisas do Mundo (2010) –, do curta-metragem Cartão Vermelho (1994) e do documentário para a televisão Mulheres Olímpicas (2013), a 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, além de homenagear esta importante diretora e roteirista, oferece ao público a oportunidade de conhecer, ou rever na tela grande da sala escura, parte da excelente trajetória de uma das mais talentosas e vibrantes cineastas em atividade neste país.

Filmes

As Melhores Coisas do Mundo

Laís Bodanzky | Brasil | 2010 | 105 min | Ficção
Produtora realizadora: Gullane
14 anos

Mano tem 15 anos, adora tocar guitarra, sair com os amigos e andar de bike. Um acontecimento na família faz com que ele perceba que virar adulto não é brincadeira. O bullying na escola, a primeira transa, o relacionamento em casa, as inseguranças, os preconceitos e a descoberta do amor transformam a adolescência numa travessia nada simples.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Mauro Pinheiro Jr.
Edição: Daniel Rezende
Elenco: Caio Blat, Denise Fraga, Fiuk e Paulo Vilhena

 

Bicho de Sete Cabeças

Laís Bodanzky | Brasil | 2001 | 84 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes, Gullane, Dezenove Som e Imagens e Fábrica Cinema
14 anos

Como todo adolescente, Neto (Rodrigo Santoro) gosta de desafiar o perigo e comete pequenas rebeldias incompreendidas pelos pais, como pichar os muros da cidade com os amigos, usar brinco e fumar um baseado de vez em quando. Nada demais. Mas seus pais (Othon Bastos e Cássia Kiss) levam as experiências de Neto muito a sério e, sentindo que estão perdendo o controle, resolvem trancafiá-lo num hospital psiquiátrico. No manicômio, Neto conhece uma realidade desumana e vive emoções e horrores que ele nunca imaginou que pudessem existir.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Hugo Kovensky
Edição: Jacopo Quadri e Letizia Caudullo
Elenco: Altair Lima, Caco Ciocler, Cássia Kiss, Gero Camilo, Jairo Mattos, Linneu Dias, Luis Miranda, Marcos Cesana, Othon Bastos, Rodrigo Santoro, Valéria Alencar

 

Cartão Vermelho

Laís Bodanzky | Brasil | 1994 | 14 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes
14 anos

Esse premiado curta-metragem da diretora revela o mundo de Fernanda, uma adolescente que joga futebol com os meninos, no momento em que é surpreendida pelos desejos de mulher.

Ficha técnica

Roteiro: Laís Bodanzky e Guilherme Vasconcelos
Fotografia: Luiz Adriano Daminello
Edição: Denise Adams

Elenco: Camila Kolber, Francisco Rojo, Danilo Clauber Ferreira, Guilherme Jayme de Carvalho, Rodrigo Foryan, Felipe Teixeira Azevedo, Reginaldo Oliveira Jr., Alexandre Soares Borges, Gabriel dos Reis Lisboa, Felipe Augusto Barbosa, Erick Maximiniano Silva, Renato Souza Recoder, Rubens Gibello Gatto Neto

 

 Chega de Saudade

Laís Bodanzky | Brasil | 2008 | 95 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes e Gullane
12 anos

História ambientada durante uma noite de baile, num clube de dança em São Paulo. A trama começa ainda com a luz do sol, quando o salão abre suas portas, e termina ao final do baile, pouco antes da meia-noite, quando o último frequentador desce a escada.

O espectador acompanha, em uma única noite, os dramas e as alegrias de cinco núcleos de personagens frequentadores do baile. Mesclando comédia e drama, Chega de Saudade aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo, num clima de muita música e dança.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Walter Carvalho, ABC
Edição: Paulo Sacramento
Elenco: Betty Faria, Cássia Kiss, Clarisse Abujamra, Conceição Senna, Jorge Loredo, Leonardo Villar, Luiz Serra, Marcos Cesana, Maria Flor, Marly Marley, Miriam Mehler, Paulo Vilhena, Selma Egrei, Stepan Nercessian, Tônia Carrero

 

Mulheres Olímpicas

Laís Bodanzky | Brasil |2013 | 52 min | Documentário
Produtora realizadora: Buriti Filmes
Livre

O documentário mostra que a história da mulher no esporte se confunde, muitas vezes, com a história da mulher como um todo. Enquanto tantas brasileiras lutavam pelo direito ao voto, ao divórcio e à livre expressão, algumas brasileiras lutavam pelo direito de marcar presença em um dos maiores eventos do planeta: as Olimpíadas. E o que poderia ser simples e natural: não foi. Algumas participações foram dramáticas. Outras, isoladas e solitárias. Assim como na sociedade, no esporte a mulher teve que conquistar na marra seus direitos.

De 1932, com a solitária participação de Maria Lenk, até os Jogos Olímpicos de 2012, quando o número de mulheres praticamente se igualou ao dos homens, muita coisa aconteceu. A participação das brasileiras nas Olimpíadas não foi uma dádiva. Foi uma conquista.

Ficha técnica

Roteiro: Laís Bodanzky
Fotografia: Carlos Baliú
Edição: Ricardo Farias

Convidados: Adriana Araújo, Ana Moser, Benedicta Oliveira, Daiane dos Santos, Fabi Alvim, Hortência, Ida Álvares, Isabel Salgado, Jacqueline Silva, Joanna Maranhão, José Trajano, Juca Kfouri, Magic Paula, Maria Emilia Luz dos Santos, Maurren Maggi, Melânia Luz, Rosicleia Campos, Sandra Pires, Sarah Menezes, Vera Mossa, Yane Marques

 

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