Mostra Homenagem Milton Gonçalves

Mostra Homenagem – Milton Gonçalves

Homenageado nesta 12ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, O extraordinário ator  Milton Gonçalves é uma da mais importantes figuras da dramaturgia brasileira contemporânea,  dono de uma carreira consolidada no teatro, cinema e na TV, com filmes premiados nacional e internacionalmente, bem sucedidos de público e crítica.

Com seu inconfundível vozeirão, Milton Gonçalves o ator fez vitoriosa carreira nos palcos e na telas fez parte do Teatro de Arena e atuou em 60 filmes, como os clássicos O Grande Momento (1958), Cinco Vezes Favela (1962), marco inicial do Cinema Novo; Macunaíma (1969), e O Beijo da Mulher-Aranha (1985), Com Rainha Diaba (1974), filme que apresentamos nesta Mostra interpretou o papel-título, um bandido transexual, ganhando  os quatro principais prêmios de Melhor Ator do cinema brasileiro da época:  no Festival de Brasília, o Air France, o Governador do Estado e o Coruja de Ouro.

Milton Gonçalves nasceu  em Minas Gerais, mudou-se com a família para São Paulo, onde foi sapateiro, alfaiate e gráfico. Fez teatro infantil e estreou profissionalmente em 1957, no Arena, na peça Ratos e Homens, de John Steinbeck: “O Teatro de Arena tinha algumas propostas da época, revolucionárias. Quais eram? Descobrir, ou formatar, formalizar uma maneira brasileira de interpretar. como o homem brasileiro anda, como ele come, como ele fala, como ele gesticula”, diz.  Deixou o grupo em 1958 e passou a fazer parte do Teatro Nacional de Comédia.

Já era ator da Tv Globo antes mesmo de sua inauguração, em 1965. Junto com Célia Biar e Milton Carneiro, formou o primeiro elenco de atores da emissora.  Onde participou das primeiras experiências dramatúrgicas: o seriado Rua da Matriz,  a novela Rosinha do Sobrado, trabalhou no humorístico TV0-TV1. e no Balança Mas Não Cai (1968).

Na emissora atuou e dirigiu mais de 40 novelas e series,  Irmãos Coragem(1970) e A Grande Família (1972), e Escrava Isaura (1976),  Roque Santeiro(1985), Tenda dos Milagres (1985),  Carga Pesada (1979) e Caso Verdade (1982-1986). Como Pai José na novela Sinhá Moça (versão 2006) concorreu como  Melhor Ator no Emmy Internacional.  Foi o Professor Leão de Vila Sésamo(1972); viveu o Zelão das Asas de O Bem-Amado (1973), o Filé, de Gabriela(1975), atualmente aos XX anos interpreta o personagem Eliseu  na novela O Tempo Não Para.

O ator sempre teve importante militância política, chegou a se candidatar ao governo do Estado do Rio de Janeiro em 1994, e também em causas sociais

Sempre atento aos diversos temas de Direitos Humanos em suas participações nestas diversas obras de maneira profunda e sensível, com personagens e contextos que são retirados do nosso dia-a-dia.

Através de uma seleção composta de cinco longas – “A Rainha Diaba”, “Lucio Flavio“, “Carandiru”, “Eles Não Usam Black Tie” e “O que é isso Companheiro”, onde Milton Gonçalves atuou, a 12ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, além de homenagear este importante ator e diretor oferece ao público a oportunidade de conhecer, ou rever na tela grande da sala escura, parte da excelente trajetória de um dos mais talentosos, vibrante ator em atividade neste país.

FILMES MOSTRA HOMENAGEM -2018

Classificação: 16 anos

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Carandirú – 2h26

Carandiru, história baseada em fatos reais e no livro escrito pelo médico Drauzio Varella (Luiz Carlos Vasconcelos), começa quando ele resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, vítima de um dos dias mais negros da história do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Ali, o médico toma contato com o que, aqui fora, temos até medo de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de inferno na terra. Porém, nosso personagem logo percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco e é o suficiente para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. Oncologista famoso, habituado a mais sofisticada tecnologia médica, Dráuzio Varella pratica a medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

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Classificação: 16 anos

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Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia – 1h58

Enfoca as ligações entre ladrões e policiais. Lúcio Flávio é um bandido famoso que empreende fugas e ações espetaculares. Seu bando é trazido por um detetive que acobertava suas ações, que acaba sendo denunciado por Lúcio numa reunião com a imprensa. É oferecido um passaporte para fugir do país e não denunciar o policial; entretanto ao saber que seu irmão foi morto, ele recusa. Ao voltar para sua cela, é executado à facadas.

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Classificação: 14 anos

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O Que é Isso Companheiro – 1h50

Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado em dezembro de 1968 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade, e em 1969 militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados Unidos para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura.

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Classificação: 18 anos

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Rainha Diaba – 1h50

Lapa, Rio de Janeiro. Diaba (Mílton Gonçalves), um homossexual, comanda de um dos quartos de um bordel uma quadrilha responsável pelo controle de vários “pontos” de venda de droga. Sabendo que um dos seus homens de confiança está para ser preso, Diaba “fabrica” um novo marginal, para depois entregá-lo a polícia. Ela encarrega Catitu (Nélson Xavier), seu homem de confiança, de fazer isto. Catitu decide que o alvo será Bereco (Stepan Nercessian), um garotão cheio de si que é sustentado por Isa (Odete Lara), uma cantora de cabaré. Catitu atrai Bereco para um série de crimes e faz dele um “perigoso bandido”. Acontece que Bereco passa a acreditar nesta “fama”. Diaba começa a ter seu poder diminuído quando Bereco pretende controlar a venda das drogas e Catitu, por sua vez, deseja aumentar seu poder.

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Classificação: 14 anos

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Eles Não Usam Black Tie – 2h14

Eles não usam black-tie debruça-se sobre os conflitos, contradições e anseios da classe trabalhadora no final dos anos 1970, na crise final da ditadura militar. Baseado em peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri escrita duas décadas antes, o filme adota uma narrativa realista que situa, em pólos antagônicos, a esperança na ação coletiva e a aposta nas saídas individuais, como alternativa de vida para os trabalhadores. Em torno do conflito entre o pai sindicalista, Otávio (Guarnieri), e o filho alienado, Tião (Carlos Alberto Ricelli), constrói-se uma trama comovente que reflete os efeitos da luta pela sobrevivência no seio da família operária. Eles não usam black-tie cativou o público e a crítica, e recebeu vários prêmios, entre os quais se destaca o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1981.

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11ª mostra cinema e direitos humanos

Homenageada da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, a diretora paulista Laís Bodanzky é uma das mais importantes cineastas brasileiras contemporâneas, com uma carreira consolidada no cinema e na TV, com filmes premiados nacional e internacionalmente, bem-sucedidos de público e crítica.

Após dirigir curtas-metragens, como o filme Cartão Vermelho, Laís e seu marido, o também diretor e roteirista Luiz Bolognesi, criaram, em 1996, um projeto itinerante, o Cine Tela Brasil, que viaja por cidades de vários estados do país exibindo gratuitamente filmes brasileiros. Este projeto a inspirou a realizar o documentário Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil em 1999, laureado com o Margarida de Prata da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre outros prêmios.

Laís iniciou sua trajetória nos longas-metragens com um filme extraordinário e único, de grande repercussão junto à mídia, Bicho de Sete Cabeças, que aborda a questão da saúde mental. Graças a sua bela direção, tornou-se conhecida nacionalmente. Este primeiro trabalho deu início a uma das mais sólidas trajetórias de uma diretora de cinema no Brasil.

Após esta consagrada e premiada estreia, Laís Bodanzky seguiu produzindo e dirigindo ininterruptamente, chegando a uma filmografia notável, tanto na qualidade e no apuro de suas técnicas narrativas quanto na diversidade das temáticas abordadas, que mesmo sem serem expostas de maneira direta, traçam um painel nítido da sociedade e de suas lutas cotidianas: a saúde mental, as muitas vezes difíceis relações familiares, os desafios de se chegar à terceira idade, o complexo universo adolescente com suas descobertas, as dores e os prazeres do crescimento, a posição da mulher na sociedade, a diversidade de gênero, entre outras.

Esta atenta realizadora apresenta os diversos temas de Direitos Humanos em suas obras de maneira profunda e sensível, com personagens e contextos que parecem ter sido retirados do nosso dia a dia e nos permite uma experiência de tomada de consciência sobre cada uma das temáticas abordadas.

Através de uma seleção de três de seus longas – Bicho de Sete Cabeças (2001), Chega de Saudade (2008) e As Melhores Coisas do Mundo (2010) –, do curta-metragem Cartão Vermelho (1994) e do documentário para a televisão Mulheres Olímpicas (2013), a 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, além de homenagear esta importante diretora e roteirista, oferece ao público a oportunidade de conhecer, ou rever na tela grande da sala escura, parte da excelente trajetória de uma das mais talentosas e vibrantes cineastas em atividade neste país.

Filmes

As Melhores Coisas do Mundo

Laís Bodanzky | Brasil | 2010 | 105 min | Ficção
Produtora realizadora: Gullane
14 anos

Mano tem 15 anos, adora tocar guitarra, sair com os amigos e andar de bike. Um acontecimento na família faz com que ele perceba que virar adulto não é brincadeira. O bullying na escola, a primeira transa, o relacionamento em casa, as inseguranças, os preconceitos e a descoberta do amor transformam a adolescência numa travessia nada simples.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Mauro Pinheiro Jr.
Edição: Daniel Rezende
Elenco: Caio Blat, Denise Fraga, Fiuk e Paulo Vilhena

 

Bicho de Sete Cabeças

Laís Bodanzky | Brasil | 2001 | 84 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes, Gullane, Dezenove Som e Imagens e Fábrica Cinema
14 anos

Como todo adolescente, Neto (Rodrigo Santoro) gosta de desafiar o perigo e comete pequenas rebeldias incompreendidas pelos pais, como pichar os muros da cidade com os amigos, usar brinco e fumar um baseado de vez em quando. Nada demais. Mas seus pais (Othon Bastos e Cássia Kiss) levam as experiências de Neto muito a sério e, sentindo que estão perdendo o controle, resolvem trancafiá-lo num hospital psiquiátrico. No manicômio, Neto conhece uma realidade desumana e vive emoções e horrores que ele nunca imaginou que pudessem existir.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Hugo Kovensky
Edição: Jacopo Quadri e Letizia Caudullo
Elenco: Altair Lima, Caco Ciocler, Cássia Kiss, Gero Camilo, Jairo Mattos, Linneu Dias, Luis Miranda, Marcos Cesana, Othon Bastos, Rodrigo Santoro, Valéria Alencar

 

Cartão Vermelho

Laís Bodanzky | Brasil | 1994 | 14 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes
14 anos

Esse premiado curta-metragem da diretora revela o mundo de Fernanda, uma adolescente que joga futebol com os meninos, no momento em que é surpreendida pelos desejos de mulher.

Ficha técnica

Roteiro: Laís Bodanzky e Guilherme Vasconcelos
Fotografia: Luiz Adriano Daminello
Edição: Denise Adams

Elenco: Camila Kolber, Francisco Rojo, Danilo Clauber Ferreira, Guilherme Jayme de Carvalho, Rodrigo Foryan, Felipe Teixeira Azevedo, Reginaldo Oliveira Jr., Alexandre Soares Borges, Gabriel dos Reis Lisboa, Felipe Augusto Barbosa, Erick Maximiniano Silva, Renato Souza Recoder, Rubens Gibello Gatto Neto

 

 Chega de Saudade

Laís Bodanzky | Brasil | 2008 | 95 min | Ficção
Produtora realizadora: Buriti Filmes e Gullane
12 anos

História ambientada durante uma noite de baile, num clube de dança em São Paulo. A trama começa ainda com a luz do sol, quando o salão abre suas portas, e termina ao final do baile, pouco antes da meia-noite, quando o último frequentador desce a escada.

O espectador acompanha, em uma única noite, os dramas e as alegrias de cinco núcleos de personagens frequentadores do baile. Mesclando comédia e drama, Chega de Saudade aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo, num clima de muita música e dança.

Ficha técnica

Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Walter Carvalho, ABC
Edição: Paulo Sacramento
Elenco: Betty Faria, Cássia Kiss, Clarisse Abujamra, Conceição Senna, Jorge Loredo, Leonardo Villar, Luiz Serra, Marcos Cesana, Maria Flor, Marly Marley, Miriam Mehler, Paulo Vilhena, Selma Egrei, Stepan Nercessian, Tônia Carrero

 

Mulheres Olímpicas

Laís Bodanzky | Brasil |2013 | 52 min | Documentário
Produtora realizadora: Buriti Filmes
Livre

O documentário mostra que a história da mulher no esporte se confunde, muitas vezes, com a história da mulher como um todo. Enquanto tantas brasileiras lutavam pelo direito ao voto, ao divórcio e à livre expressão, algumas brasileiras lutavam pelo direito de marcar presença em um dos maiores eventos do planeta: as Olimpíadas. E o que poderia ser simples e natural: não foi. Algumas participações foram dramáticas. Outras, isoladas e solitárias. Assim como na sociedade, no esporte a mulher teve que conquistar na marra seus direitos.

De 1932, com a solitária participação de Maria Lenk, até os Jogos Olímpicos de 2012, quando o número de mulheres praticamente se igualou ao dos homens, muita coisa aconteceu. A participação das brasileiras nas Olimpíadas não foi uma dádiva. Foi uma conquista.

Ficha técnica

Roteiro: Laís Bodanzky
Fotografia: Carlos Baliú
Edição: Ricardo Farias

Convidados: Adriana Araújo, Ana Moser, Benedicta Oliveira, Daiane dos Santos, Fabi Alvim, Hortência, Ida Álvares, Isabel Salgado, Jacqueline Silva, Joanna Maranhão, José Trajano, Juca Kfouri, Magic Paula, Maria Emilia Luz dos Santos, Maurren Maggi, Melânia Luz, Rosicleia Campos, Sandra Pires, Sarah Menezes, Vera Mossa, Yane Marques

 

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