Mostra Temática – 70 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

 

MOSTRA TEMÁTICA – 70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão consciência e devem agir em relação uma às outras com espírito de fraternidade.

Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 1º

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada no dia 10 de dezembro de 1948 na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (AGNU). Os 30 artigos são resultado de contribuições de intelectuais, representantes de diversos países, organizações não-governamentais e amplas consultas.

O contexto do processo político em torno de sua elaboração tem experiências marcantes: a Guerra Civil espanhola e o bombardeio de Guernica, em 1937; a ascensão do nazismo na Alemanha e suas conhecidas consequências; o massacre de Nanquim na China, também em 1937; e a ascensão do Partido Nacional na África do Sul, com políticas de apartheid, dentre outros eventos.

Nos últimos 70 anos, a Declaração tem cumprido seu propósito de busca pela transformação da realidade, a partir de reflexão e crítica sobre as práticas discriminatórias e repressivas existentes. A proposta de construção de Direitos Humanos universais pode ser vista como equivalente à proposta de construção de uma cultura global, marcada por transformações éticas, sociais e econômicas.

No âmbito das Nações Unidas, esse caminho foi traçado a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos e acompanhada pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, ambos adotados pela AGNU em 1966, em vigor a partir de 1976. Junto com os Protocolos Adicionais, esses três instrumentos constituem a Carta Internacional dos Direitos Humanos.

Em 1993, a Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, teve como resultado a Declaração de Viena e o Programa de Ação de Viena, instrumentos para a proteção e a promoção dos Direitos Humanos, descritos como universais, indivisíveis, interdependentes e inter-relacionados.

Esta compreensão indica que a violação de qualquer direito pode gerar violações de outros direitos, que a não garantia de um direito pode comprometer o exercício dos demais e reforça que os Direitos Humanos devem ser respeitados sem qualquer restrição de nacionalidade, raça, sexo, credo, convicção política, religiosa ou filosófica.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos já foi traduzida em mais de 360 idiomas. A 12ª Mostra Cinema e Direitos Humanos traz como tema a celebração dos 70 anos deste importante marco por meio da linguagem audiovisual, uma experiência que deve ser mais do que apenas assistir aos filmes.

Esperamos que você possa se transportar nesta experiência e se transformar nesta celebração conosco!

Filmes Mostra Temática

Classificação: 14 anos

Closed Caption/ Audiodescrição/Libras

Café com Canela – 1h40

Brasil

Após perder o filho, Margarida (Valdinéia Soriano) vive isolada da sociedade. Ela se separa do marido Paulo e perde o contato com os amigos e pessoas próprias. Um dia, Violeta (Aline Brunne) bate à sua porta. Trata-se de uma ex-aluna de Margarida, que assume a missão de devolver um pouco de luz àquela pessoa que havia sido importante pra ela na juventude.

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Classificação: Livre

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Eduardo Galeano Vagamundo – 1h12

Brasil

Amigos e profissionais do mundo artístico contam suas lembranças do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Hughes Galeano, que faleceu em 2015. A trajetória de Galeano, autor do livro “As Veias Abertas da América Latina”, foi fortemente marcada pelo seu desejo de conhecer o mundo sempre buscando estar em contato com as belezas da vida.

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Classificação: 12 anos

Closed Caption/ Audiodescrição/Libras

Henfil – 1h14

Brasil

O documentário registra uma proposta curiosa feita a uma turma de jovens animadores: tentar trazer para a atualidade as obras do cartunista, jornalista e ativista brasileiro Henrique de Souza Filho, o Henfil. Além desse processo, o filme traz depoimentos de amigos e revelações sobre como o artista hemofílico lidava com sua doença e utilizava seus desenhos como instrumento de luta contra a censura política de sua época.

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Classificação: Livre

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Heróis – 1h10

Brasil

A judoca Rafaela Silva foi a primeira atleta da delegação brasileira a ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio em 2016, levando toda nação as lágrimas. Popople Misenga, o congolês convidado a participar da delegação composta por refugiados, fez o mesmo. Além disso, como esquecer de Rogério Sampaio e o ouro no mesmo esporte durante as Olimpíadas de Barcelona em 1992. A partir de uma abordagem heroica, a carreira desses desportistas é transformada em filme.

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Classificação: Livre

Closed Caption/ Audiodescrição/Libras

Histórias da Fome no Brasil – 52 minutos

Brasil

“Histórias da Fome no Brasil” mostra uma cronologia da fome no país. Do Brasil Colônia, onde foram plantadas as sementes das desigualdades sociais, até as políticas públicas recentes que culminaram na saída do Brasil, em 2014, do Mapa da Fome divulgado pela ONU, retratamos como se deu o enfrentamento deste mal por parte da sociedade e do governo.

A importância da superação da fome pode ser dimensionada quando consideramos que este flagelo perdurou durante séculos em nosso país e que até recentemente não se vislumbrava a história da crença de que ela era uma fatalidade que nunca reverteríamos, o filme nos aponta o pensamento daqueles que “nadaram contra a corrente”, como Josué de Castro, Dom Helder, Betinho e tantos outros, que acreditaram que a fome era um mal reversível, ocasionada pelos próprios homens e suas políticas.

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Mostra Temática 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos

O conceito de gênero pode trazer várias nuances: a primeira se refere a mulheres e está inserida no movimento de mulheres e nos estudos e pesquisas feministas. Nesta nuance, o conceito traz à tona a matriz do patriarcado – instituições, práticas e discursos que impõem estigmas e comportamentos discriminatórios contra as mulheres.

A segunda nuance se refere à compreensão de que os papéis femininos e masculinos são criados um em relação ao outro, ou seja, homens e mulheres são compreendidos a partir das interações e das referências entre eles e elas. Não existe um mundo “deles” separado do mundo “delas”.

E a terceira nuance nos mostra que gênero é uma construção social e cultural, inserida em um contexto histórico. Assim, entre tempos e contextos diferentes, nacionais e internacionais, podemos ter diferentes leituras sobre a questão de gênero, apesar de a matriz do machismo ainda ser preponderante.

Tradicionalmente, falamos em dois gêneros – o masculino e o feminino. Mas há quem não se identifique com nenhum de les e até quem se identifique com ambos! A pessoa cisgênero é aquela que se identifica com o gênero igual ao do sexo de nascimento, enquanto a transgênero se identifica com um gênero diferente ao do sexo de nascimento. Os intergêneros se identificam com ambos os gêneros, e os agêneros não se identificam com nenhum deles.

Assim, precisamos diferenciar a identidade de gênero, a forma como uma pessoa se reconhece dentro dos padrões de gênero (cisgênero, transgênero, transexual, mulheres e homens trans e travestis), da orientação sexual – a forma como uma pessoa se sente em relação à afetividade e à sexualidade (heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade e assexualidade).

A Mostra Temática da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos traz sete filmes que perpassam todas essas nuances. O filme De que Lado me Olhas, de Ana Carolina de Azevedo e Leonardo Michelon, nos mostra como esta construção social e cultural, muitas vezes baseada em estereótipos e ideias pré-concebidas, pode ser refeita com base no respeito às diversidades e às individualidades. Em Pobre, Preto e Puto, de Diego Tafarel, e Meu Nome É Jacque, de Angela Zoé, conhecemos trajetórias diferentes e com diferentes identidades, que também trazem esta mensagem.

A História da Menininha que Amava Borboletas, de Paula du Gelly, e Precisamos Falar do Assédio, de Paula Sacchetta, nos trazem a perspectiva das violações baseadas em questões de gênero e que ocorrem, às vezes de maneira sutil, outras vezes não, em nosso cotidiano. Estes relatos nos fazem relembrar a importância da Lei Maria da Penha, de 2006, da Lei do Feminicídio, de 2015, do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, do Disque 100 e do Ligue 180.

Vale lembrar que a violência baseada no gênero está vinculada a estigmas e discriminação, que estabelecem uma hierarquia entre orientações sexuais e identidades de gênero, instaurando uma relação em que mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis passam a ser qualificados como sujeitos sem direitos e, portanto, excluídos da cidadania e da dignidade humana.

O Mapa da Violência de 2015, sobre o homicídio de mulheres no Brasil, identificou que, entre 1980 e 2013, houve crescimento no número de mulheres vítimas de homicídio, com uma taxa de 13 homicídios diários em 2013.

As estimativas sobre a violência baseada no gênero mostram uma relação com aspectos étnicos e de classe: o número de mulheres negras assassinadas aumentou no período de 2003 a 2013 e o perfil da população vítima de LGBTfobia no Brasil é de jovens gays e travestis/transexuais, pretos e pardos, de média e baixa renda, moradores de periferias das grandes e médias cidades brasileiras. Assim, vemos que o racismo é um agravante nos casos de violência baseada em gênero.

Com os filmes Carol, de Mirela Kruel, e Madrepérola, de Deise Hauenstein, narrativas novas, de respeito às diversidades, mostram que mudar os discursos repletos de estigmas e discriminação é possível.

E é por acreditar na riqueza que o debate sobre gênero promove e na possibilidade dessa mudança de conceitos, práticas e discursos, que apresentamos a temática de gênero na 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, na esperança de contribuir para o enfrentamento às violações motivadas por essa questão.

Filmes:

A História da Menininha Que Amava Borboletas

Paula Du Gelly | Estados Unidos | 2016 | 4 min | Ficção
Produtora realizadora: Paula Du Gelly
14 anos

Para onde ela queria ir, ela não podia levar ninguém… especialmente seu passado.

Ficha técnica

Roteiro: Paula Du Gelly
Fotografia: Matt Fore e câmera adicional Gal Oppido
Edição: Paula Du Gelly
Elenco: Mackenzie Paulson, Adrianna Costa, Paula du Gelly

 

Carol

Mirela Kruel | Brasil | 2016 | 20 min | Documentário
Produtora realizadora: Mirela Kruel Criação de Imagens e Ph7 Filmes
14 anos

CAROL – Trailer from Mirela Kruel on Vimeo.

A história de uma mulher que se redescobriu depois de ter passado por uma situação de violência. Um registro do seu cotidiano, suas dificuldades e angústias, sonhos e alegrias. Através da proximidade com a vida de Carol vemos como é possível superar preconceitos, tristezas, e seguir em frente.

Ficha técnica

Roteiro: Marcela Bordin
Fotografia: Eduardo Nascimento Rosa
Edição: Bruno Carboni

 

De Que Lado Me Olhas

Ana Carolina de Azevedo e Helena Sassi | Brasil | 2014 | 15 min | Documentário
Produtora realizadora: Carolina de Azevedo e Leonardo Michelon
Livre

De que lado me olhas (dir. Elena e Carol) – Teaser from Carolina de Azevedo (SK) on Vimeo.

“O que é não pede para ser, simplesmente é.” Em Porto Alegre, sete pessoas oferecem suas perspectivas sobre uma importante realidade desconversada.

Ficha técnica

Roteiro: Carolina de Azevedo, Elena Sassi, Iuri Santos, Leonardo Michelon
Fotografia: Iuri Santos
Edição: Leonardo Michelon
Elenco: Alice, Sophia, Felipe, Angelix, Eric, Alex, Georgia

 

Madrepérola

Deise Hauenstein | Brasil | 2015 | 15 min | Documentário
Produtora realizadora: Unisinos
10 anos

Madrepérola – Teaser from Clara Moraes on Vimeo.

Em uma maré alheia à diversidade, vivem ostras que são afetadas por serem consideradas fora dos padrões e medidas. Essa é uma história sobre como as pérolas se formam.

Ficha técnica

Roteiro: Deise Hauenstein, Clara Moraes, Karen Eggers, Fabiane Lorscheiter
Fotografia: Karen Eggers
Edição: Leo Bracht
Elenco: Giovana Guzinski, Julliane Toaldo, Luara Cruz, Tainara Fraga, Victória Souza, Yasmini Dandara, Yasminne Cohen.

 

Meu Nome É Jacque

Angela Zoé | Brasil | 2016 | 72 min| Documentário
Produtora realizadora: Documenta Filmes
12 anos

O documentário aborda a diversidade através da história de vida de Jaqueline Côrtes, uma mulher transexual brasileira, que vive com Aids. Militante pela causa, Jacque tem a vida marcada por lutas e conquistas como representante do governo brasileiro na ONU. Hoje mora numa pequena cidade, levando uma vida voltada para a maternidade e a família. Ao acompanhar o cotidiano de Jacque, este documentário apresenta os inúmeros desafios que foram rompidos pela personagem.

Ficha técnica

Roteiro: Angela Zoé
Fotografia: Luís Abramo
Edição: Célia Freitas Edt, Fernando Botafogo e Marcelo Luna

 

Pobre Preto Puto

Diego Tafarel | Brasil | 2016 | 15 min | Documentário
Produtora realizadora: Pé de Coelho Filmes
12 anos

Pobre Preto Puto – Teaser from Pé de Coelho Filmes on Vimeo.

Nei D’Ogum é batuque, é sexo e é negritude. É amor e contradição. Um guerreiro das causas negras, gays e transexuais. Ele é a própria causa. Auto define-se: “pobre, preto, puto”.

Ficha técnica

Roteiro: Diego Tafarel
Fotografia: Lucas Ferreira
Edição: Diego Tafarel e Zé Correa
Elenco: Nei D’Ogum

 

Precisamos Falar do Assédio

Paula Sacchetta | Brasil | 2016 | 80 min | Documentário
Produtora realizadora: Mira Filmes
14 anos

Precisamos Falar do Assédio – Trailer from mira filmes on Vimeo.

Na semana da mulher, uma van-estúdio parou em nove locais em São Paulo e no Rio de Janeiro. O objetivo era coletar depoimentos de mulheres vítimas de qualquer tipo de assédio. Ao todo, 140 decidiram falar. São relatos de mulheres de 15 a 84 anos, de zonas nobres ou periferias das duas cidades, com diferenças e semelhanças na violência que acontece todos os dias e pode se dar dentro de casa, em um beco escuro ou no meio da rua, à luz do dia. O filme traz uma amostra significativa, 26 deles. Nos depoimentos puros, sem qualquer tipo de interlocução, acompanhamos um desabafo, um momento íntimo ou a oportunidade de falarem daquilo pela primeira vez.

Ficha técnica

Fotografia: Francisco Orlandi Neto
Edição: André Bomfim, Bruno Horowicz

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